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Nesta quarta-feira, dia 3, foi realizada a primeira reunião do Conselho Gestor do campus de São Carlos, órgão deliberativo da Coordenadoria de Campus e que substituiu o antigo Conselho de Campus, porém com atribuições e composição muito parecidas. Tal conselho é composto pelos quatro diretores de unidade do campus, sendo um deles (Prof. José Cuminato, o Poti, diretor do ICMC) seu presidente, mais um professor representante de cada uma das quatro congregações das unidades, mais o Coordenador do campus (Prof. Dagoberto Mori), além de um representante dos funcionários, um dos estudantes de graduação e um da pós-graduação.
A reunião foi convocada na quinta-feira, dia 28, mas sua pauta foi encaminhada apenas um dia antes da data da reunião, ao meio-dia do dia 2, terça-feira. Este fato em si já era grave, demonstrando a irresponsabilidade com que a Coordenadoria tratava os membros do Conselho, e o conteúdo da pauta confirmou a gravidade de tal atitude, já que nela havia pontos muito importantes e que exigiam um debate prévio para que se desse uma discussão e uma deliberação mais responsável e coerente por parte dos conselheiros.
Dentre essas pautas estava a deliberação sobre o Plano Diretor do campus 2, mas também outras pautas importantes, como a indicação de nomes externos à Universidade para compor o Conselho, a deliberação sobre o projeto do Alojamento Estudantil do campus 2, a aprovação de novas construções no campus 2, e deliberações sobre estacionamentos no campus e sobre ocorrências policiais no campus, dentre várias outras. Lembrando que pra todas essas pautas, com exceção da sobre o Plano Diretor, não havia sequer informações e explicações prévias sobre seu conteúdo.
Devido a isso tudo, a Representação Discente solicitou (carta em anexo) no início das discussões que não se deliberasse sobre alguns dos pontos da pauta, com a reunião servindo para discutirmos sobre os mesmos e para deliberarmos sobre os outros pontos menos complexos. Porém, a presidência do conselho (Prof. Poti) acatou a sugestão do Prof. Glaucius Oliva (diretor do IFSC) para que isso fosse colocado em cada ponto da pauta que fôssemos debatendo. Durante a reunião, o primeiro fato constatado foi que os assuntos estavam sendo tratados de uma forma totalmente apressada, já que se pretendia aprovar tudo naquela reunião.
Dentro das pautas, a primeira barbaridade surgida foi o fato de um dos nomes propostos para a composição do conselho foi o do empresário e latifundiário que doou a maior parte das terras para a criação do campus 2, o que se configuraria um enorme e explicito conflito de interesses. A área cedida representava uma mínima parte de todas as suas terras, que por esse motivo se valorizaram enormemente, numa região lindeira ao campus e de expansão urbana da cidade; estando ele, agora, presente no próprio conselho que delibera sobre o campus, o círculo que amarra esse conflito de interesses entre o público e o privado se fecharia. Durante o debate, felizmente o nome foi retirado da lista elaborada com cinco nomes a serem encaminhados para a indicação pela Reitora.
Chegamos, então, na pauta sobre o Plano Diretor do campus 2. Nesse momento, a representação discente fez uma primeira fala na qual apontamos os problemas do processo de elaboração do que chamaram de “plano diretor” (mas que não poderia ser assim definido por suas deficiências e confusões técnicas e conceituais) e o próprio fato desta pauta ter sido apresentada com apenas um dia de antecedência, solicitando assim, novamente, que este ponto não fosse deliberado, mas debatido nessa reunião. A presidência negou e, ainda por cima, disse que o debate se restringiria a apenas uma fala por membro; como uma de nossas falas tinha acabado de acontecer, nos restaria apenas mais uma fala para todo o ponto de pauta. Protestamos sobre o fato, mas não fomos atendidos.
O “debate” se deu, e acabou se focando na questão de se o plano deveria ou não ser votado naquela reunião e nas justificativas, por parte deles, de que o debate sobre ele tinha ocorrido e havia uma necessidade de se aprová-lo. A R. D. voltou a colocar que o que ocorreu nos últimos meses não foi um processo aberto e participativo, mas apenas uma audiência realizada pela comissão que elaborou o plano, apontando também algumas questões sobre a própria proposta que não foram suficientemente discutidas e que não incorporavam em nada as reivindicações estudantis, sendo inclusive apresentados a mesma área e o mesmo projeto de alojamento que já haviam sido rechaçados pelos estudantes em várias ocasiões.
Mais duas falas docentes se deram, e em seguida a mesa iniciou imediatamente o encaminhamento da votação. A R. D. colocou a questão de que não deliberássemos naquela reunião, assim como havíamos decidido fazer, mas tal reivindicação não foi aceita pela maioria dos presentes. Tentamos fazer uma nova questão de ordem sobre a ausência de debate, já que a decisão de se votar o plano exigia um debate aprofundado dos pontos específicos da proposta que não foram discutidos a contento, além de que a regra de apenas uma fala por membro era explicitamente autoritária e contrária ao dialogo. Entretanto, o continuou-se o encaminhamento, que foi interrompido pela entrada dos estudantes que estavam do lado de fora da reunião. Aos gritos, o Prof. Poti dizia que tal atitude era um absurdo, enquanto os estudantes tentavam chamar a todos a uma discussão mais aprofundada.
Não aceitando a questão de ordem colocada pela R. D. nem a continuação da reunião com a presença dos demais estudantes, a presidência do conselho declarou encerrada a reunião. Antes, porém, algumas declarações, como a de que “as reivindicações colocadas pelos estudantes foram cumpridas” ou ainda que “a reitora está certa em fazer as reuniões em locais restritos”, foram colocadas por alguns dos dirigentes presentes. A presidência do conselho disse, por fim, que a próxima reunião seria chamada para um “local seguro”.
Fica claro para nós que havia uma intenção de não se debater tal tema a contento, já que o ponto anterior havia sido debatido com mais tranqüilidade, apesar dos posicionamentos divergentes colocados. Havia, portanto, um misto de insegurança e pressa por parte dos dirigentes nesse ponto, explicitando a pressão a que estão submetidos e que, ao mesmo tempo, exercem para que certos interesses possam ser rapidamente encaminhados.
Relembramos que, além dessa pauta, outros importantes temas também estavam presentes e, provavelmente, não haveria tempo e predisposição para o debate adequado em torno dos mesmos. A postura apresentada nessa reunião pelos dirigentes da universidade deve servir de um alerta para que não aceitemos uma ainda maior restrição ao debate do que a já estruturalmente presente nos órgãos da USP.
Nesse sentido, afirmamos, por fim, o entendimento de que a ocupação da reunião pelos estudantes que estavam presentes foi um ato legítimo perante a seqüência de atitudes insensatas e, no mínimo, questionáveis tomadas por parte da coordenadoria do campus, desde a convocação da reunião até a maneira como a mesma foi levada.
Representação Discente no Conselho Gestor do Campus de São Carlos
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