As reuniões da diretoria estão acontecendo às segundas-feiras, às 19h, no CAASO,
e são abertas a tod@s.
Pré-Pauta
Informe da Diretoria ao Campus sobre a Escola CAASO PDF Imprimir E-mail
02 de March de 2009
Situação recente

A situação financeira da Escola CAASO é crítica. No ano de 2008, houve baixo número de matriculados, em especial no ensino médio. Somando-se a isso gastos com divulgação (outdoors, televisão e gráfica) e os custos fixos (contas, manutenção, salários), acumulou-se um déficit em torno de R$ 62.000 no orçamento da escola no ano passado (em 2007 o deficit foi de R$ 16.400) . Deste valor, cerca de R$ 38.500 foi coberto por recursos provenientes do Centro Acadêmico e cerca de R$ 40.000 em encargos, décimo terceiro salário e outras despesas não foram quitados.

Tal situação fez com que nos meses iniciais da atual gestão (novembro, dezembro, janeiro e fevereiro), os salários dos trabalhadores da escola tivessem de ser pagos com atraso e de forma parcelada, além de não conseguirmos pagar algumas contas e, inclusive, as principais dívidas recebidas (encargos atrasados, décimo terceiro, gráfica). Tudo isso considerando tanto o orçamento da escola quanto o do CAASO.

Estratégias para 2009

Dada a situação, ainda no fim de 2008 nos reunimos com a escola para definirmos estratégias para o ano de 2009.

Nessa reunião, foi discutido qual deveria ser o público alvo para o ensino médio, chegando-se a um consenso de que o foco deveria se dar a estudantes vindos de escolas públicas. Para isso, deveria ser concedido um desconto maior para esses estudantes. A mensalidade acertada foi de R$160,00 (aproximadamente 50% de desconto), proposta pela escola, que garantiu que haveria demanda suficiente para chegarmos a 35 alunos nessa turma (sendo 5 pagantes integrais), número necessário para que ela fosse viável.

Quanto à divulgação, chegou-se à conclusão em conjunto com a escola de que seria mais efetivo o foco na distribuição de panfletos nas escolas e nos bairros da cidade e da região, em vez de outras formas de divulgação mais caras, como televisão e outdoors. Para efetivarmos tal estratégia, conseguimos gratuitamente 25 mil panfletos na gráfica da EESC (sendo 10 mil distribuídos em dezembro e 15 mil em janeiro) e outros 10 mil foram feitos pela escola (também distribuídos em janeiro). Além dos panfletos, foi realizada pela diretoria divulgação em jornal e rádio.

No entanto, apesar de tal esforço não obtivemos um número de estudantes suficiente  para a sustentabilidade financeira da escola considerando seus custos atuais (atualmente 9 alunos no 1º ano, 14 no 2º ano e 21 no 3º ano), o que colocou o CAASO e a escola numa situação extremamente difícil.

Planejamento financeiro para 2009

Para ter uma noção financeira mais concreta sobre os rumos do Centro Acadêmico e de sua escola no ano de 2009, elaboramos um cenário da forma mais realista possível sobre o esperado para os caixas da escola e do CAASO. Para isso, utilizamos como base os dados do ano anterior, atualizando novos valores para os arrendamentos (no CAASO) e as entradas dadas pelas matrículas efetuadas no ensino médio deste ano (na escola). Nessa projeção desconsideramos todos os gastos com quaisquer outras demandas e atividades desempenhadas pelo centro acadêmico, bem como algumas entradas menores e incertas.

Como resultado, chegamos a um superávit do CAASO (não incluindo a Escola) de cerca de R$ 40.000. Para a escola, considerando as novas mensalidades e os mesmos salários do ano passado, haveria um déficit de cerca de R$ 63.000, sem considerar nesse valor a dívida do ano de 2008. Diante desse resultado, não poderíamos omitir a atual situação ao corpo da escola.

Sendo assim, estudamos diversos cenários para o planejamento de 2009 chegando à conclusão de que a melhor proposta possível consistia no seguinte: o CAASO assumiria o pagamento das dívidas acumuladas de 2008, bem como as despesas em aberto desse ano, totalizando cerca de R$ 48.000 (dos quais o orçamento do CAASO garante uma parte, e para a outra teríamos de buscar fontes extras de financiamento); já o déficit deste ano ( R$ 63.000) deveria ser coberto por redução nos custos da escola, ou seja, a escola deveria se auto-sustentar.

Considerando, portanto, as entradas de mensalidades dos alunos da escola (dos já matriculados no ensino médio e dos previstos para o cursinho), chegamos a valores possíveis de serem pagos: cerca de 90% do que se paga atualmente aos funcionários administrativos; e para os professores, um valor de hora-aula de somente R$ 2,00. Contudo, considerando algumas sugestões de redução de gastos e concessões feitas pelos professores este valor pôde ser elevado para R$ 3,40 a hora-aula. Enfatizamos, desde o princípio, que o valor excedente gerado por economia de gastos na escola ou novas matrículas, por exemplo, seria repassado aos professores, de maneira a ser acertada.

Sabemos que a situação posta vai contra os direitos desses trabalhadores e, por conseqüência, contra o que defende o movimento estudantil e esta diretoria. Porém, com tal cenário dado, era irresponsável e inaceitável omitir a real viabilidade de pagamento de seus salários. Tal proposta apresentou-se como única possibilidade de manutenção da escola no corrente ano.

Frisamos desde o início, porém, que ela se dirige a uma situação de emergência e que nos comprometemos a discutir e a encontrar em conjunto com o campus e a escola uma solução efetiva para os problemas da mesma, que há muito se arrastam.

Dificuldades de diálogo e "auto-gestão" da escola

Desde a posse da gestão, várias reuniões foram feitas com a escola, no sentido de abrir o diálogo entre as partes e de aumentar a participação do corpo da Escola, que há anos acompanham a escola, bem como ampliar a transparência na tomada de decisões. Contudo, devido à delicada situação financeira da escola e à postura agressiva de alguns funcionários e professores, acabou tornando-se muito difícil a discussão com o corpo da escola, mesmo com nossos esforços nesse sentido.

Em reunião com a escola no dia 5 de fevereiro foi apresentada a proposta da diretoria, mas não foi possível discuti-la profundamente. Em seguida também foi apresentada uma proposta por escrito por parte da escola, na qual exigiam que a administração da mesma fosse feita apenas entre os professores e funcionários (o que chamaram de "auto-gestão") e que a diretoria do CAASO se limitaria a fiscalizar os balancetes apresentados por eles.

Alegamos que a diretoria do CAASO não tem autonomia para propor tal mudança administrativa. Além disso, na prática, tal proposta cortaria qualquer participação do CAASO na gestão da escola, da qual é o responsável legal (o CNPJ continuaria sendo o mesmo). A transferência dessas responsabilidades não poderia ser feita a curto prazo, tampouco sem o amplo debate e o consentimento dos estudantes do campus.

Nessa mesma reunião, tanto no documento apresentado quanto na fala de alguns presentes, também foram feitas diversas acusações infundadas direcionadas à diretoria atual. A dificuldade de diálogo se manteve. Alguns professores deixaram a reunião logo após a apresentação de sua proposta e não conseguimos um acordo com os professores que permaneceram.

A situação criada pela postura dessas pessoas se configura num ato de irresponsabilidade por parte de alguns integrantes do corpo de funcionários da escola. Sabem, estes, que a situação da escola é muito delicada, que todos os esforços para que ela fosse revertida foram realizados e que a atual gestão recebeu-a numa situação já bastante complicada.

Consideramos que um debate sério como a questão das formas e graus de autonomia da escola não pode ser colocado dessa maneira, visto que não podemos aceitar qualquer situação de indefinição nos moldes de seu funcionamento ou no pagamento de seus funcionários. A diretoria do CAASO reafirma sua postura de construir as principais decisões referentes à Escola de forma democrática, pautadas pelo debate de idéias e envolvendo todo o corpo de funcionários, como tem feito desde que assumiu.

Em termos práticos, a autonomia que é possível existir hoje, em boa medida, já se dá. As decisões sobre os preços das mensalidades e estratégias de desconto e divulgação foram tomadas, como já posto, em conjunto com os professores e funcionários. Em termos financeiros, a Escola já estabelece um controle diário do fluxo de caixa, e nos comprometemos a mantê-lo. Para ampliar a transparência, a diretoria se comprometeu também a divulgar (por exemplo, afixando-os em murais na secretaria e na sala dos professores) os balancetes mensalmente, bem como todas as contas pagas pela Escola.

O que fazer?

Como colocado diversas vezes para o corpo da Escola, e como definido em nossa proposta ainda como chapa, não temos a intenção de mudar de forma unilateral e abrupta a gestão da escola CAASO, e sim mobilizar uma ostensiva discussão com o campus, com o próprio corpo da Escola e com a comunidade interessada, sobre seu papel e sua relação com o Centro Acadêmico e com a cidade.

No entanto, estamos muito temerosos sobre os riscos que o CAASO corre, dada a impossibilidade de arcarmos com os atuais custos da escola. Seria possível acordarmos com os professores uma redução de salário com prazo determinado e o repasse de excedentes. No entanto, não houve, nas reuniões feitas, a possibilidade de um acordo sobre isso.

A situação não poderá continuar da forma como está, pois, de um lado, é praticamente inviável os funcionários assinarem as folhas de pagamento com valor mais alto do que efetivamente estariam recebendo e, de outro, no caso dos funcionários não assinarem,

isso manteria o CAASO em situação irregular em relação ao pagamento de salários da Escola.

Por isso, na pior situação possível, chegou-se a considerar o fechamento da escola para este ano, não por uma vontade da diretoria, mas pelo provável esgotamento das possibilidades para que a escola se mantivesse.

Últimos acontecimentos

Em conversa com alguns professores que apareceram na última reunião marcada pela diretoria (quinta-feira, dia 12), foi possível avançar no diálogo com estes presentes. A escola já passou por momentos de crise bastante graves, em que professores, funcionários e a diretoria do CAASO se propuseram a mantê-la mesmo com uma redução de salários e outros esforços conjuntos.

Tanto esta reunião como algumas outras conversas mais informais mostraram que existe um campo para o diálogo e o entendimento, que é o que a diretoria busca desde o princípio. Por outro lado, alguns funcionários da Escola mantêm uma postura de ataques e tentativa de dificultar o diálogo.

É nesse contexto que a diretoria do CAASO se vê presa entre duas situações muito difíceis. De um lado, o fechamento da escola seria uma saída muito dolorosa e complexa, em todos os sentidos. De outro, o arrastar dessa situação sem um acordo que compatibilize o funcionamento da escola com a realidade posta também coloca o CAASO e os próprios funcionários da escola (que não conseguirão receber seus salários) em uma situação cada vez mais delicada.

Infelizmente, na última semana, alguns fatos tornaram mais difícil a relação entre os funcionários da escola e a diretoria do CAASO. Em diversos dias, houve manifestações por parte dos funcionários da escola dentro do Centro Acadêmico. Nós acreditamos que essas mobilizações, da maneira como ocorreram, não possuem o objetivo de abrir o diálogo e discutir objetivamente os problemas da escola, e sim de tentar intimidar a diretoria e difundir informações enviesadas e inverídicas.

Não é esse tipo de espaço e de atitude que vemos como ideal para as discussões das pautas do colégio, por isso marcamos reuniões com os funcionários, que de forma alguma são fechadas, mas que devem possuir uma mínima ordem para que se consiga ter um debate objetivo e produtivo.

Outra coisa que consideramos grave é o fato de terem sido instalados cadeados em alguns locais da escola com clara intenção de privar o acesso ao local, uma vez que isso não foi acordado, a diretoria não foi avisada e nem foram disponibilizadas as chaves a ela. Atitudes como essas, que sabemos não contar com a concordância de todo o corpo da escola, expressam um grave ataque ao Centro Acadêmico e principalmente à necessária manutenção do diálogo para esse delicado momento.

Apesar disso, a diretoria do Centro Acadêmico ainda acredita na possibilidade de chegarmos a um acordo e, novamente, reafirma essa intenção. Portanto, mantemos o conteúdo da última proposta construída com alguns professores (enviada no dia 12/02), em relação à criação de uma comissão paritária e à rediscussão do novo valor da hora-aula no dia 26/02, após as matrículas do cursinho. Enquanto isso estaremos focados na divulgação do cursinho.

Transparência

A diretoria considera fundamental que as informações aqui contidas cheguem aos estudantes e estes tomem ciência da real situação da escola e, consequentemente, do CAASO. Chamaremos espaços propícios para que esses assuntos sejam discutidos. Manteremos o campus informado e estamos plenamente abertos a prestar qualquer esclarecimento sobre nossas decisões e sobre as contas do CAASO.
< Anterior   Próximo >